146/3 “Fui um criminoso do PCC”

“Fui um criminoso do PCC”

Hoje pastor, Renato Cesar de Sousa, o Renatinho, comandou gangues, roubou bancos e conheceu como poucos o mundo do banditismo

Não é apenas o Rio de Janeiro que tem sofrido com a violência. O Brasil todo se tornou alvo de balas perdidas ou mesmo bem dirigidas. Quem não se lembra, por exemplo, dos levantes e atentados que São Paulo sofreu em 2006? Aqueles ataques, comandados pelo Primeiro Comando da Capital, o famigerado PCC, foram até mais graves do que a atual crise experimentada pelos cariocas. Considerada uma das facções criminosas mais temidas do país, até hoje o PCC assusta, especialmente por conta da aura de mistério que cerca a organização. Algo que Renato Cesar de Sousa conhece como poucos; afinal, durante a adolescência, e longos anos que se seguiram, ele fez parte do partido do crime.

Renatinho, como era chamado, ingressou com o aval de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e lá liderou gangues de roubo a bancos e, por diversas vezes, viu a morte de perto. Hoje, aos 31 anos, está convertido e é pastor itinerante das Assembleias de Deus. Em entrevista a ECLÉSIA, ele fala sobre suas experiências no mundo do crime, como Jesus o alcançou e de que forma o Brasil pode vencer a violência.

ECLÉSIA - Como você conheceu e entrou para o PCC?

Renato Cesar de Sousa – Aos nove anos, rejeitado por meus pais, fui morar na rua. Na boca do lixo de Campinas (SP), conheci outros meninos e meninas como eu, passei a usar maconha, cocaína e crack. Acabei sendo adotado por um casal de traficantes. Meu pai adotivo, o Naldo, era membro do partido 1533, forma como chamávamos o PCC. Ele me levou para lá e me apresentou todo o comando. Quem deu o veredicto para que eu entrasse na organização foi o Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefão do partido.

O que o atraiu para entrar para a organização? Como era sua vida sendo membro dessa facção?

Eu estava com 16 anos quando me batizei no PCC. Aquela adrenalina me atraiu, assim como as promessas de ser importante, ser alguém temido nessa vida. Que ilusão! Mas frequentei muitos terreiros de umbanda, quimbanda e candomblé. Tudo estava ligado. Aos poucos, ganhei o respeito no mundo do crime.

  Em seu testemunho, você conta que a cadeia e o PCC o transformaram num ladrão de bancos e sequestrador. E que pelo menos escapou da morte por duas vezes, quando toda a gangue que liderava foi morta pela polícia. Pode dizer como foram esses episódios?

Comecei liderando uma quadrilha de assaltantes juvenis. Estávamos em 11 bandidos e resolvemos assaltar um banco no interior de São Paulo. Quando saímos com aqueles malotes de dinheiro, já tinha várias viaturas da polícia. Houve uma troca de tiros terrível na porta do banco. Meus companheiros foram mortos um a um. Eu fui o último a sair e, com um fuzil, troquei tiros com os policiais. Mesmo drogado, pesando apenas 46 quilos, consegui atravessar a avenida. Consegui chegar a um muro, subi numa casa e fui pulando de um telhado para outro. Quando olhei, policiais do helicóptero Águia começaram a atirar em mim. Um tiro acertou o peito do meu pé e eu caí na cozinha da casa de uma serva de Deus. Naquele momento, estava começando o círculo de oração e ninguém se importou com o telhado quebrado. Mas a dona da casa, líder do trabalho, convenceu-me a entregar.

Então, ela saiu abraçada comigo para que eu não fosse morto. No outro roubo que fizemos, estávamos fugindo de carro pela rodovia, quando fomos cercados e meus comparsas foram mortos. Mais uma vez, apenas eu sobrevivi. Nesse primeiro assalto, você recebeu uma profecia de Deus. Como foi?

A mulher que liderava o círculo de oração veio em minha direção e, usada pelo Senhor, disse em profecia: “Tu és Zaqueu e nessa tarde convém pousar em sua casa. O Brasil hoje o conhece como um ladrão, uma causa impossível, mas eu vou fazer de você um pregador da minha Palavra”. Na Bíblia, Zaqueu era um ladrão, mas Deus mudou a vida dele.

Por meio dela, Deus também revelou que eu só não havia morrido porque o anjo de sua igreja estava orando por mim. Era meu irmão, o pastor Reginaldo, e sua esposa Akesia. Mesmo assim, preso pelo pecado, endureci o coração e não aceitei entregar a vida a Deus.

E de que forma foi sua conversão?

Primeiro, é preciso dizer que aprontei muito antes de me converter. Fugi do Carandiru, realizei outros assaltos, como aquele segundo que contei há pouco. E terminei preso novamente, condenado a 33 anos. Na época, estava com apenas 21. Dividia uma cela com outros 9 detentos e estava deitado na jega, a cama, quando chegaram 3 homens, um deles cego – o pastor Jarbas de Almeida. Apesar de não enxergar, ele apontou o dedo para mim e começou a dizer que eu havia nascido para dar errado, mas que o sangue de Jesus Cristo poderia mudar minha vida e fazer as coisas darem certo. Mesmo sem nunca ter me visto ou ouvido falar de mim, ele me chamou por meu apelido, Renatinho, e disse que Deus me conhecia e queria me fazer um pregador, para que o Brasil conhecesse uma partícula da sua glória. Não resisti. Comecei a chorar e, ali mesmo, entreguei a vida ao Senhor.

De que maneira foi solto?

Também por uma profecia. Ele me disse que, no dia seguinte, antes do ponteiro do relógio marcar meia noite, eu estaria solto. Achei uma loucura, mas ele afirmou que quem falava comigo era o Juiz dos juízes, que não tinha me condenado. O pastor Jarbas precisou morrer para viver, precisou ficar cego para enxergar. Foi alvejado pela Rota e morreu com 11 tiros, mas na hora da autópsia, Jesus o ressuscitou. Ele foi meu pai na fé. No dia seguinte, uma sexta-feira, logo pela manhã, chegou uma escolta para me levar ao reconhecimento. Eu estava condenado, mas houve um recurso. Minha quadrilha era composta por 16 bandidos e todos morreram. Como não havia ninguém que pudesse me reconhecer, eu acabei solto. Hoje eu sei que foi obra de Deus.

Muita gente afirma que entrar para uma facção criminosa como o PCC é como fazer um pacto de sangue: não há volta, não há saída. Quando deixou a organização, não chegou a sofrer ameaças ou teve medo de ser morto?

Quando retornei do fórum, dentro do bonde, aquele carro todo fechado que conduz os presos, o diretor do presídio mandou me colocarem na triagem e não no pavilhão. A notícia de minha conversão havia se espalhado e o pessoal do PCC queria me matar. Eles queriam me enforcar, mas mesmo assim pedi ao carcereiro que me levasse de volta para o convívio. Afinal, eu tinha a promessa de Deus. Logo, fui levado para o local do acerto de contas. Começaram os debates. Um deles falou: “Irmão, não podemos dar o xequemate antes de falarmos com o padrinho que o batizou”. Meu padrinho chegou e, para minha surpresa, perguntou se eu tinha certeza da minha decisão. Disse que sim. Então, ele completou: “Pode sair de cabeça erguida. Ninguém vai tocar em você. É ordem do comando geral”.

Ainda hoje há coisas que você evita falar por causa de represálias dos criminosos?

Sim.



Muitos dos jovens que atuam no crime organizado nos morros do Rio e nas periferias de São Paulo são filhos de crentes ou desviados. Como você vê essa situação? Não está na hora da Igreja se preocupar mais?

Reconheço que é importante uma mudança na estrutura eclesiástica e na teologia pregada por muitas denominações. Mas também vejo igrejas desenvolvendo um importante papel social e anunciando o Evangelho. O sistema prisional brasileiro, por exemplo, não consegue recuperar ninguém. É uma escola do crime, a começar pela Fundação Casa – antiga Febem. Quem recupera? A Palavra de Deus pregada dentro das cadeias. Eu sou um exemplo disso, mas também partilho do pensamento do reverendo Martin Luther King Junior. Também tenho um sonho, que é viver num país de igualdade, onde o Estado cumpra a Constituição, oferecendo segurança, habitação, saúde e dignidade. Para tanto, a Igreja deve se fazer presente e cobrar.


Marcos Stefano
Jornalista da revista Eclésia
http://www.eclesia.com.br/revistadet2.asp?cod_artigos=1281








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