JOSÉ DE SOUZA MARQUES (1894/1974)

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JOSÉ DE SOUZA MARQUES (1894/1974)
PASTOR – EDUCADOR – ADVOGADO – POLÍTICO
Pastoreou a PIB. de Campo Grande, de 1923 a 1925.
Pastoreou a PIB. de Realengo, de 1934 a 1942.
Nasceu em 29 de Maio de 1894, na Cidade do Rio de Janeiro. Converteu-se em 1910, na PIB. do Rio de Janeiro, sendo batizado pelo Pr. J.W.Shepard. Casou-se em 07/12/1922 com a irmã Leopoldina Amélia Ribeiro. Desse casamento resultou os filhos: Stela, Diléa, Elza, Dulcinéia, José, Leopoldina e Nise.
Certamente foi um grande exemplo de homem negro e oriundo da pobreza, que teve que lutar bravamente para adquirir educação. Hoje, quando os chamados afrodescendentes, termo norte-americano, incorporado à nossa cultura, já podem contar com vitórias esplendidas e seus direitos garantidos, não podemos esquecer que Souza Marques foi um dos pioneiros dessa luta, forçando a sua entrada em posições de destaques numa sociedade tão preconceituosa, principalmente na primeira metade do Século XX.
Formou-se pelo Colégio Batista e Seminário Batista do Rio, em 1922, com o grau de Bacharel em Teologia. Formou-se, em 1939, Bacharel em Direito, pela Faculdade de Direito do Rio. Foi consagrado ao ministério pastoral em 21/12/1922. Pastoreou pelo menos 10 Igrejas, destacando-se a PIB. de Realengo, PIB. de Oswaldo Cruz e IB. de Engenho Novo, nesta última dando a maior parte do seu tempo de pastor e onde foi convocado à Glória. Nas igrejas mencionadas adquiriu suas excelente propriedades.
Destacou-se como Pastor, Educador, Líder Denominacional e Político. Porém, considerava a sua tarefa mais importante o exercício do ministério pastoral. Assumiu a IB. do Engenho Novo, substituindo o seu irmão, Pr. Antonio de Souza Marques, que havia falecido.
Tendo-se formado como Bacharel em Ciência e Letras (hoje Ensino Médio e certamente bastante superior) pelo Colégio Batista do Rio (hoje Shepard), na mesma época do Seminário, fez concurso para professor público do então Distrito Federal, sendo aprovado. Mas, continuou no Colégio, após breve intervalo, dedicado ao ensino e à organização do ensino, chegando a ser Deão. Porém, em 1929 resolveu fundar o seu próprio Colégio, que teve início, nesta data com uma Escola Primária. A escolha do bairro de Cascadura, então subúrbio bem afastado, demonstra o seu interesse pela gente simples e pobre que não dispunha de recursos para matricular os filhos nos colégios do centro do Rio. O Colégio “Souza Marques” logo se tornou uma potência. Cinco anos depois de fundado, já se tornara conhecido em todo o Brasil Batista. Informa o Pr. José dos Reis Pereira que na Assembleia de 1934 da CBB, em Santos-SP, quando Souza Marques era objeto da maior curiosidade e simpatia, por pouco não foi eleito Presidente da mesma. O Colégio cresceu muito e Souza Marques começou a sonhar com algo mais grandioso: a Universidade. Esse sonho foi concretizado e lá ela está, vitoriosa, em Cascadura. A primeira Universidade existente em um subúrbio carioca e que se espalhou para outras áreas do Rio. Foi criador, da Fundação Educacional “Souza Marques”, que mantém as Faculdades, processo iniciado em 1966 de: Medicina, Engenharia, Enfermagem, Administração, Ciências Contábeis, Biologia, Física, Química, Letras, Pedagogia, Formação de Professores.
Ao terminar o seu curso teológico seguiu para o Estado do Paraná, onde exerceu as funções de Secretário do Campo. Mas daí a pouco estava de volta à sua querida terra carioca. Trabalhou no Colégio e nas Igrejas. Foi presidente da Convenção Batista Carioca (antes Federal, do Distrito Federal e do Estado da Guanabara) nos anos: 1924, 1927, 1928, 1929, 1930, 1933, 1939, 1940, 1945, 1953, 1954 e 1960 (12 vezes), sendo um dos que mais vezes ocupou a presidência da Convenção. Foi também presidente da CBB, em 1935, e Orador Oficial em 1938. Trabalhou intensamente nas Juntas estaduais e nacionais. O Conselho Batista de Educação, do qual foi presidente, por vários anos e o trabalho missionário batista no Brasil e no exterior, ocupavam lugares de destaque nas suas preocupações. Conquanto, homem dos mais ocupados, mantinha-se sempre em dia com o progresso e os problemas da Obra Batista. Fundou em 1940 a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil e pela sua experiência de advogado procurou dar-lhe o formato da OAB, dedicando-se ao máximo por essa organização, exercendo a sua presidência por 21 anos, de 1940 a 1961 e deixou o cargo, mesmo contra a vontade da maioria dos seus colegas, que muito o admiravam. Foi membro da Academia Evangélica de Letras. Fundou e dirigiu o Jornal “Nova Era” e também a Revista “Seleções Brasileiras”. Foi também autor de “Pensamentos Para Você Pensar”.
Na política foi Deputado Estadual pelo extinto Estado da Guanabara (Cidade do Rio de Janeiro) por 4 legislaturas consecutivas, desde 1960.
Como mencionamos acima, esteve à frente da PIB. de Campo Grande de 15/10/1923 a 16/09/1925. Teve como grande auxiliar o veterano obreiro Pr. Florentino Rodrigues da Silva. Foi um período em que por vezes teve que diminuir um pouco o ritmo de suas atividades para tratamento de saúde. Assumiu em substituição ao Pr. Axel Frederico Anderson e procurou incentivar a Igreja, apenas há 4 anos em Campo Grande, a aceitar os novos desafios da época e do novo bairro, partindo para a luta de construção do seu primeiro templo. Apresentou, na data da sua saída, a sua carta de renúncia, indicando o Pr. Florentino para substituí-lo na direção da Igreja, o que foi prontamente aceito. Pouco depois, foi também pastor da PIB. de Realengo, onde permaneceu por um bom tempo, no período: 1934-1942.
O seu falecimento ocorreu em 4 de Janeiro de 1974, na mesma cidade onde nasceu, a sua querida Rio de Janeiro. Contava, então, 89 anos e 7 meses. O seu corpo poderia ter sido levado para o Palácio da Assembleia Legislativa ou mesmo para o magnífico conjunto educacional que criou em Cascadura, mas foi velado no templo da igreja que dirigia e tanto amava: IB. do Engenho Novo. O sepultamento ocorreu no dia seguinte, após o culto de despedida com o templo literalmente lotado, estando presentes irmãos em Cristo, pastores, amigos e autoridades civis. O espaço físico foi pequeno para acomodar a multidão que ali estava para prestar a última homenagem ao pastor, amigo, lutador e vencedor: José de Souza Marques.

fonte: https://www.facebook.com/gilsondocarmo.batista/posts/1333378330068462